Além de grande aliado do motor para a redução dos poluentes na atmosfera, o turbo
segue cada vez mais a tendência e a necessidade do desenvolvimento de projetos e
fabricação de produtos favoráveis à sustentabilidade.
Os principais “drivers” para a crescente utilização de turbos em motores de combustão
interna são o melhor desempenho e economia de combustível e a menor emissão de poluentes
para a atmosfera
A melhoria e o controle do processo de queima do combustível dentro do motor resultam
em ambos, desempenho com menores emissões de poluentes.
Projeto “sustentável”
Até a década de 80, quando as leis de emissões não eram tão restritivas como atualmente,
os projetos dos turbos eram focados principalmente nos aspectos de performance,
robustez e facilidade de manufatura.
As peças fundidas agregavam muito material, com paredes espessas, para permitir
uma fundição mais fácil. Devido esta facilidade de manufatura, muitas fundições
estavam habilitadas a fabricarem componentes para o turbo, mesmo na Europa e Estados
Unidos.
Com as emissões cada vez mais restritivas, o projeto do turbo foi adequado ao processo
mais “lean”, onde o peso e espessuras foram otimizados por projetos em computador,
utilizando técnicas diversas como FEA.
O aspecto custo ganhou maior importância, o que demandou muita pesquisa e desenvolvimento,
resultando na utilização de materiais alternativos e novos processos de fabricação.
A necessidade de componentes fundidos com menores espessuras de paredes e geometrias
complexas, coincidiu com a necessidade do controle rígido sobre resíduos pelas fundições
na Europa e Estados Unidos. Muitas fundições encerraram as atividades ou migraram
para outros continentes. As fundições migraram ou transferiram a tecnologia para
países emergentes na Ásia, e outros locais como o México e mesmo para o Brasil.
A demanda para desenvolvimento de componentes automotivos em geral, incluindo carcaças
utilizadas no Turbo, aumentou nestes países. Mesmo considerando o projeto voltado
para a “manufatura e montagem” (DFMA), a maioria dos casos resultou em produtos
com baixa possibilidade de remanufatura. Embora os níveis de performance, durabilidade
e custos fossem mais competitivos, comparados aos anos anteriores, a baixa possibilidade
de remanufatura exigiu que todo o atendimento de serviços fossem realizados com
produtos novos, e também gerando o descarte indesejável dos turbos usados.
Como a BorgWarner entende a “sustentabilidade”,
sem esquecer da performance, emissões, durabilidade e o custo ?
A BorgWarner já projeta e fabrica as novas famílias de turbos “sustentáveis”, utilizando
processos mais amigáveis ao meio ambiente, desenvolvendo e selecionando somente
fornecedores preparados para o futuro e pensando em todo o ciclo de vida do produto.
Isto inclui a possibilidade de várias remanufaturas, e diminuindo o descarte de
materiais.
O trabalho demandou muita pesquisa e um trabalho conjunto com fornecedores em todo
o mundo. Novas soluções criativas foram desenvolvidas, ainda pensando em “lean”,
baixo peso, “DFMA” etc. Alguns exemplos:
- Rotor do compressor em Titânio: é um ótimo exemplo, pois atende a vida em aplicações
críticas, mas também permite a sua reutilização na maioria dos casos, já que ele
dura mais do que os outros componentes do turbo.
- Novas parcerias têm sido realizadas com fundições de precisão, visando a otimização
da fusão dos materiais, utilizando cada vez menos energia, em um tempo mais curto.
Estas novas tecnologias permitirão a fabricação de componentes críticos e complexos,
com menos gasto energético, e mais rapidamente para atender a demanda (maior capacidade)
e melhor precisão (capabilidade). Outro benefício desta tecnologia é a redução de
inércia do conjunto rotativo do turbo, e menor desbalanceamento residual. Com a
otimização do processo de balanceamento do rotores da turbina e do compressor, teremos
uma redução no material a ser removido, bem como a utilização menor de rebolos e
ferramentas especiais, demandando um volume menor de líquidos refrigerantes.
Embora exista a argumentação de que as novas tecnologias aumentaram os custos de
materiais, é inegável que a relação custo benefício final ainda é atrativa, já que
a vida útil foi extendida em muitos casos, e o atendimento em serviço melhorado.
Emissões e o futuro : BorgWarner está
preparada para este desafio.”
A Legislação de Emissões regulamenta a emissão máxima permitida de poluentes gasosos
através do escape, por composição, elementos particulados, por tipo veículos e aplicações.
Esta regulamentação é necessária para o controle da poluição em grandes centros
urbanos, locais desfavoráveis a diluição da poluição e também diferenciando conforme
o tipo de utilização (urbana, rodoviária, agrícola, industrial etc).
No Brasil, a regulamentação de emissões gasosas veiculares é controlada pelo Programa
de Controle da Poluição por Veículos Automotores (Proconve), instituído pelo CONAMA.
O objetivo dos fabricantes de motores e veículos é de fornecer motores que atendam
as leis de emissões e sejam silenciosos, duráveis e econômicos. Para atender tais
requisitos, são utilizaas novas tecnologias nos motores, como SCR, DPF, EGR, OBD,
bem como altas pressões de injeção, múltiplas injeções, controle de timing, comandos
eletrônicos, sensores etc. Para cada estratégia de controle de emissões, a BorgWarner
pode utilizar o tipo de configuração de turboalimentação mais adequado àquela aplicação.
Um pouco de nossa história sobre inovações
recentes
A BorgWarner de Campinas participou da introdução dos primeiros motores eletrônicos
no mercado brasileiro, atendendo antecipadamente a lei de emissões CONAMA fase IV
(Euro 3), com os turbos da família K para motores pequenos e médios e S para os
motores pesados. Esta foi uma das iniciativas para o “downsizing” de motores diesel
para aplicações em veículos comerciais, onde motores de 6 ciclindros foram substituídos
por motores menores de 4 ciclindros.
A BorgWarner ganhou o prestigiado prêmio PACE nos estados unidos, pelo inovador
conceito de Turbos de Duplo Estágio Regulado R2S.
Foi a pioneira a iniciar a produção seriada do Turbo de 2 Estágios Regulado R2S,
para Veículos Comerciais, com o motor V6 de 4.5 litros, utilizado no mercado norte
americano. Foram 2 anos de desenvolvimento conjunto entre as equipes americana e
brasileira. Os turbos de 2 estágios são hoje referência também na Europa, onde o
motor BMW de 6 cilindros e 3 litros foi considerado como “benchmark”de desempenho,
atendendo Euro 4 com folgas. Estes motores utilizam da tecnologia R2S com turbos
K24 e KP39. Em seqüência, foi desenvolvido em Campinas, juntamente com os colegas
americanos e alemães, os turbos da família B para EPA2007, novos sucessores tanto
para os motores leves como pesados. O turbo B3 foi lançado em 2007 para motores
pesados, e utiliza tecnologia de carcaça de turbina assimétrica (com tecnologia
desenvolvida no centro de pesquisas da Alemanha), sensor de rotação e válvula wastegate
integrada e controlada pela ECU do motor. Estão nos planos da BorgWarner o desenvolvimento
dos turbos de geometria variável VTG, para veículos comerciais no Brasil, utilizando
atuador elétrico.. Aliados ao ganho em desempenho e economia de combustível, estes
turbos apresentam a robustez necessária para atender a durabilidade, e trabalho
no modo de frenagem. Nestes casos, o turbo é capaz de produzir altas potências de
frenagem, economizando o freio normal do veículo e dispensando o tradicional freio
motor, o que traz segurança e conforto ao motorista.